segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

INVEJAS

Tinha António Vila Cova 54 anos e 33 de vida activa quando a C.G.D. o reformou por invalidez.
Politiquices.
Só que o homem não se ficou. Num ápice estava administrador não executivo da Mota Engil (onde é que eu já ouvi este nome?) e do Banco Finantia, de onde saíu para assumir o cargo de administrador (desta vez) executivo do BPN.

Quanto a Gracinda Raposo, igualmente reformada da C.G.D. por invalidez, fez das fraquezas forças e hoje é consultora do Santander Totta, sendo assessora da administração.
E também administradora não executiva da empresa de capital de risco ECS, bem como administradora (também não executiva) do grupo construtor A.Santo.
.
O EXPRESSO, em boa hora, foi investigar as causas da reforma daqueles dois.
Tratou-se afinal de motivos "de ordem psicológica".

Aqui o "Pedras", que gosta sempre de ir ao fundo das questões, conseguiu saber um pouco mais.
Parece que a Dona Gracinda começou, um dia, a ouvir vozes; daí, passou à leitura compulsiva dos 8 livros da Alexandra Solnado e, às tantas, já era tu cá, tu lá, com Jesus Cristo.
Foi quando se tramou.
Que isto é um Estado laico e por cá não se transige com este tipo de atitudes.
Asssim se viu reformada, sem apelo nem agravo.

Já quanto ao senhor Vila Cova, o caso foi mais complexo, uma vez que ele estaria convencido de ser o próprio Cristo em pessoa.
Se por um lado foi bastante mais difícil à Caixa arranjar uma junta médica que o considerasse inválido, por outro as portas da Mota Engil e do BBN nem precisaram de palavras mágicas para se abrirem de par em par, á sua frente.

Ora, em vez de apreciarem o espírito empreendedor destes dois executivos (ou não executivos, tanto faz) que, apesar de inválidos, lá se vão arrastando entre os novos locais de trabalho em busca da sua subsistência, o que fazem os portugueses?
Desatam logo a sentir aquela dorzinha de cotovelo, a vociferarem que é um escândalo, uma ilegalidade e coisas ainda piores, chegando até à fase do desrespeito total, quando o tema calha a ser abordado entre taxistas.
Confrangedor.
Parecem não entender que a inveja continua a ser uma das nossas piores características.
E, Estado laico ou não laico, um pecado muuuuuuuuuuito feio.

Assim é que não saímos da cepa torta.

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15 comentários:

salvoconduto disse...

Não são só esses dois, Almerindo Marques também por lá se reformou.

Maria disse...

Ora nem mais, o que eu esperava está aqui!
O Pedras fazendo juz aos Ecos!
Soubesse eu e tinha lido não 8 mas 16 livros da Solnada...
Ai, como eles nos gozam e vão continuar a gozar!

Beijinhos

paciente inglês disse...

Nada disto espanta pois Portugal é um antro estranho, algures entre o Entroncamento, Fátima e Gondomar, com fenómenos paranormais e outros para pategos que nunca quiseram meter-se nos Partidos que estendem os seus tentáculos até S.Bento e daí
irradiam para todos os sítios onde haja tacho.
Isto não tem solução porque os que roubam, os que fazem as leis e os que julgam comem todos da mesma panela.
Portugal é um cemitério de arquivamentos, esquecimentos e favorecimentos.
Jorge Coelho e o Dias Loureiro são sócios de uma empresa em Carnaxide. Alá seja lavado!
Portugal está podre. Mas os portugueses correm para os saldos e choram a derrota do Benfica.
Entretanto, em Gaza, os israelitas dizem que por hoje já chega, mas que amanhã Hamas...

Ana disse...

Salvo:
E também terá sido por invalidez?
Olha, bem recentemente o vi num restaurante e não tinha nada ar de inválido...
É uma alegria.
Para gemer estamos cá nós.

Abraço

Ana disse...

Maria:
Quem sabe se os livros da Solnada não te fariam abrandar os fervores clubísticos, hehehehe...
E também há cursos para aprender a comunicar com o Alto...
E consultas.
E DVDs :)))))
Não digas que não te passo informação interessante.

Beijinho

Cris Caetano disse...

Mas isso aqui anda tão bom... adoro essa linguinha afiada.
¨Quem tem padrinho não morre pagão¨, verdadinha verdadeira.
Feliz Ano Novo!
Beijinhos

Ana disse...

Paciente Inglês:
Agora recordei-me da nossa tradução para "Lost in Translation" da Sofia Coppola e que era "O Amor é um Lugar Estranho"...

Por cá, tudo acaba por ser mais ou menos estranho.
Os munícipes mais adorados são os que mais roubam (roubam mas fazem...)
Dos GNRs aos juízes, passando pelo Fisco, é um fartar vilanagem.
Roubar, rouba quem pode.
Se os "grandes" o fazem (como se ouve diariamente nessas interessantíssimas entrevistas de rua), os "pequeninos" também têm direito a fazê-lo, pois então.
Soube outro dia que existe um dispositivo que alguns taxistas aplicam por baixo dos taxímetros e que acelera a contagem dos ditos, conforme ele vá carregando ou não no botãozinho escondido.
A soma final da corrida torna-se assim bem mais compensadora...
Estamos sempre a aprender, embora alguns conhecimentos não nos tragam grande alegria.

E se na Faixa de Gaza cada dia Hamas bojarda, cá no cantinho, cada vez Hamas pouca vergonha.

Incha Alah!

Ana disse...

Cris:
A menina já voltou da desbunda de fim de ano?
Saúda-se o regresso, efusivamente!

Por cá costuma dizer-se que "quem tem amigos não morre na cadeia"...
É uma variante.
Que serve ambos os países, com certeza.
Se Portugal está podre, esse cheirinho que atravessa as nossas Shegenizadas fronteiras não prenuncia nada de bom...

Beijinho

a.leitão disse...

Relativamente ao comentário do "paciente inglês" e respectivo comentário da Ana, dou uma pequena achega (já que vivo em Gondomar)
De facto o Major foi dos que fez obra (no 1º mandato) e colocou Gondomar no mapa. Depois consou-se(!?) teve saudades do futebol e foi o descalabro.
Há de facto muitos episódios desconcertantes com o Major (não conhecidos do grande público) que não abonam nada a seu favor.
Em abono da verdade e porque já aqui vivo vai para 30 anos foi quem fez alguma coisa cá pelo sítio, o que não desculpa as trapalhadas que também criou.
A verdade é que o povinho adora o home!

Luis Eme disse...

a "xica-espertice" continua a ser um posto no nosso país.

é uma explicação para muitas coisas, inclusive para termos os governantes que temos, Ana...

abraço

Ana disse...

A.Leitão:
Pois o nosso Major é um caso exemplar...
Amado pelo povinho, pois claro.
Até eu lhe acho uma certa piada quando o vejo ser agressivo com a Manuela Moura Guedes...
O diabo é que o poder transtorna a cabecinha de quem o mantém por muito tempo.
Seja nas autarquias, nos bancos, nas empresas, nos tribunais, no parlamento ou no governo.
Às vezes, até numa simples administração de condomínio...
É a malfadada natureza humana.

Abraço

Ana disse...

GRALHA NA RESPOSTA À CRIS:
A palavra inventada era SHENGENIZADAS e não Shegenizadas...

Ana disse...

Luís:
A tristeza é ver como a dita "xica-espertice" tem feito escola entre nós.
Outro povo muito dado a este desporto é o grego.
Nem me admira que o caldo se tenha entornado por lá.
Pelo que que pude observar nos poucos dias que por lá andei, eles ainda conseguem ser mais aldrabões e vigaristas do que nós.
O que é obra...

Abraço

Ze_Cuscopos disse...

Cara vizinha Ana,

Ainda estou em estado de cheque (misto de choque e de assinatura do título de crédito mais conhecido das instituições que fala neste seu escrito)!!!

V. Exa. pretende insinuar que neste cantinho à beira-mar plantado há inveja???!!!

Pois não insinue!!! Afirme!!!

Sobretudo se utilizar a palavra inveja numa nova vertente, que se não vem no novo acordo ortográfico deveria vir: a do "in" que antecede o "veja" significar negação!

Como em incompleto (não completo) ou intolerável (não tolerável) também em Portugal há quem inveja (não veja) o que estes autênticos barões fazem, de forma totalmente insensata (não sensata) e impune (não punida)!!!

Resultado: uns com tanto e os restantes, como num antigo anúncio televisivo ao Citroen, a vê-lo passar!!!

Hic Hic Hurra

Ana disse...

Caro Vizinho Zé:
Não posso deixar de concordar que há muitas autoridades neste país a necessitarem de uma visita urgente ao optometrista da Multiópticas.
Temo é que já vão tarde.

O Dr. Vítor Constâncio, coitado, é um que já encomendou um labrador treinado para lidar com invisuais.
Pode ser que a venda de automóveis esteja em queda mas a de cães para ceguinhos aposto que está florescente.
Salve-se ao menos alguma coisa.

À sua!