segunda-feira, 27 de outubro de 2008

FADO EM DÓ MENOR


Co'a breca! 7.000, dito assim com esta naturalidade, faz-nos desejar fugir a sete pés dos hospitais. Morrer por morrer, antes na nossa caminha.
Digo eu.

Que não haja culpados
é que já me parece mais natural.
Tal como na Ponte de Entre-os-Rios.
Ou na linha do Tua.
Ou quando um juíz liberta um criminoso que no dia seguinte esfacela a cabeça da mulher com um cinzeiro.
Ou tal como se prevê que venha a acontecer no final do Processo Casa Pia.
Ou com os crimes bancários.
E por aí adiante, que a lista não tem fim.
.
Os nossos hospitalizados vão ter de se armar de toda a conformação possível, quando lhes calhar em sorte passar a fazer parte desta descontraída estatística.
A culpa É DO SISTEMA.
"OS ERROS PODEM ACONTECER EM QUALQUER FASE DO PROCESSO, DESDE QUE O MÉDICO PRESCREVE O MEDICAMENTO, PASSANDO PELA FARMÁCIA QUE O DISTRIBUI, ATÉ AO ENFERMEIRO QUE O DÁ AO DOENTE".
.
Diz a inefável presidente da APAH (Associação Portuguesa dos Farmacêuticos Hospitalares), Dona AIDA BAPTISTA.
"É O SISTEMA".
As pessoas distraem-se, é muito natural.
Nada de andar a criar depois
bodes expiatórios.
Tendo o nome que tem (sem ofensa para a legítima), a senhora só podia vir, naturalmente, cantar-nos
o FADO DO SISTEMA.
Em DÓ MENOR.
À guitarra, sucessivamente, diversos directores hospitalares.
À viola, vão muitos doentinhos, mesmo contra vontade.

OOOOPS, RECTIFICAÇÃO DE ÚLTIMA HORA:
.
Afinal parece que os números não eram portugueses, o que não impediu a nossa fadista de actuar com o maior à vontade.
Para ela tanto faz que sejam sete
ou sete mil.
Como logo surgiu alguém a corrigir os números, "CÁ, NÃO HÁ UM SISTEMA QUE REGISTE ESSES CASOS"

Mas então, sendo a culpa precisamente do SISTEMA, ainda queriam que fosse ele a fazer os registos?


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12 comentários:

Maria disse...

O que mais me impressionou nesta notícia, para além da frieza da própria, foi não haver reacções sérias sobre o que veio no jornal.
Escreveu-se, mal se falou, e passou... à história. Como é possível? Não foi cá? E os que são cá, quem responde por eles? Não vemos os médicos anestesistas serem ilibados de mortes por anestesia?
Para o peso X a anestesia é Y. é o princípio. Mas não têm em conta o historial do doente nem sequer lhe perguntam se tem outra experiência anteriior de anestesia...
Medicamentos? Pior ainda, depois dizem que são muitos e a troca... é humana...
Fujo dos hospitais como o diabo da cruz. Até poder.

Um beijinho

Cris Caetano disse...

Assino embaixo o que a Maria disse.

Pois é, não são 7000, devem ser uns 6999, mas as pessoas se distraem e tudo fica por isso mesmo. É a vida!!! Caramba...

Beijinhos

Ze_Cuscopos disse...

Cara vizinha Ana,

Eu apenas fui médico substituto por um dia, quando o meu primo não chegou a horas ao consultório dele!

Mas não foram 7000 as pessoas que eu atendi!

Ou foram?

Raios, que agora, assim de repente, não me consigo lembrar...

Mas errar é humano, não é?

Hic Hic Hurra

Luis Eme disse...

vergonhoso, tudo.

em quem havemos de acreditar e ter alguma esperança, Ana?

abraço

Duarte disse...

Gosto imenso do gesto, da fotografia que encabeça o teu blog, fino e delicado: o vestido, ou saia, muito bonito.

Isso digo eu, morrer, mas com dignidade.

Não estou ao corrente de tudo o que passa na nossa terra mas concordo com as tuas convicções, dado que vejo-as adequadas ao que expões.

Um grande abraço

Ana disse...

Maria, Cris, Zé, Luís e Duarte:
Agradeço a todos os que comentaram, pedindo desculpa por não o fazer individualmente.

O blog vai parar durante algum tempo, por motivo de força maior.
Não sei quando recomeçará.

Um beijinho para cada um.

Duarte disse...

Existem pressões?
Espero e desejo que estejas bem, melhor dito, maravilhosamente bem.
Um grande abraço

Maria disse...

Um abraço especial para ti, Ana.
Ficamos à espera...

E beijos

poetaeusou . . . disse...

*
não demores, muito,
já tenho saudades,
,
conchinhas,
,
*

Ruvasa disse...

Viva, Ana!

Eu bem estava desconfiado de que não podia ser.

Então, com o fecho de tudo quanto seja sítio onde se possa curar alguém, como é que podiam 7.000 de cristo morrer por lá?

Vão morrer, sim, mas... longe!

Abraço

Ruben

CARTEIRO disse...

Cara Ana,
Fico sinceramente grato pelas suas belas palavras e gostaria que nos encontrássemos, com o Zé Cuscopos e o Escriba, para conversarmos sobre estas coisas.
Que lhe parece a ideia?
Como na Magra Carta os comentários são moderados,se confiar na minha palavra, pode enviar-me o seu e-mail que não divulgarei, obviamente.

Um abraço do Carteiro

Ana disse...

Uma vez mais escrava do tempo, vou agradecer num só comentário, ao Duarte, à Maria, ao Poeta, ao Ruben e ao Carteiro, as palavras que aqui deixaram.

Brevemente espero que tudo volte à primitiva forma.

Um abraço a cada um.