quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

UMA PEDRA NA BOTA

Que tenham posto o Salazar a dizer à Christine que gostava muito de cravos vermelhos, ainda vá.
Que lhe colocassem uns binóculos na mão para ele espreitar, do Forte, um par de namorados aos beijos, na praia, vá que não vá.
A repetida frase -"trate-me por António"- dita a todas as mulheres que lhe desfaleciam nos braços, ao segundo encontro, é como o outro.
O divertimento a ouvir, na rádio, "Os parodiantes de Lisboa", admite-se.
Não terem arranjado uma cara menos feia do que a da Fernanda Borsatti para encarnar a raínha D. Amélia, poderá considerar-se uma questão de gosto.
E gostos não se discutem.
O chefe de gabinete do presidente do Conselho a tratá-lo ora por você, ora por António, ora por sôtor, não soava lá muito bem, mas enfim...
O chefe do Governo a pintar as unhinhas dos pés à cartomante Soraia Chaves, será um tanto fantasioso, mas a fantasia faz parte dos enredos cinematográficos.
Até a queda na banheira, em vez da queda da cadeira, poderá ser entendida como uma...metáfora. De muito bom gosto, aliás.

Mas lá quanto às BOTAS, com enormes e complicados atacadores, focadas 74 vezes pela câmara, tenham santa paciência!
As "botifarras de rústico", como eram ali descritas, tinham uma característica muito própria: elásticos dos lados e ausência de atacadores.
Eram as chamadas BOTAS DE ELÁSTICO. Expressão que passou a designar alguém desactualizado, fora de moda.

Se o senhor Jorge Queiroga, antes de realizar a mini-série, tivesse feito os trabalhos de casa, poderia ter encomendado, na net, um par do número usado pelo macilento Diogo Morgado.
Ainda há muito quem as venda.
E, òbviamente, quem as use.

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18 comentários:

Maria disse...

74 vezes? Tens a certeza? Contaste-as?
:))))
Com um olho aqui e o outro ali ao lado fui vendo uma cena ou outra, mas gostei mesmo foi de ver as botas do botas deixadas na praia.... enquanto ele ia "mar adentro"... só molhar os pés.
Não o sabia tão engatatão...

Beijinho, Ana

salvoconduto disse...

Talvez por ter um predagulho e não uma pedra no sapato, não vi.

Prefiro guardar na memória o dia em que o botas bateu a bota.

diácono disse...

Se fosse o ManOel de Oliveira teríamos tido planos de cinco minutos mostrando as botas.
Devo ter visto ao todo cinco minutos da obra e nem de sorrir dá vontade.
É grotesco,descosido,piroso, tentando reduzir um homem austero e discreto ao nível de sádico de gabardina aberta e bota fora o coiso.
Somos muito fraquinhos nestas (e noutras) coisas.
Nem apetece malhar, tão indigente é a fantochada.

Marta disse...

Oh Ana!... o que me ri com o teu fabulástico post!

Tenho para mim que se mostraram tantas vezes as botas - e a sua evolução ao longo do filme - para salientar a importância do calçado na vida social! Salazar foi "obrigado" a não esquecer que o seu pai usava tamancos! Se reparaste, logo na altura em que o Prof. Salazar compra um par de botas novas, para cortejar a filha da madrinha, lembram-lhe que o pai usava tamancos! E o facto, segundo o filme, é que o raio dos tamancos impediram a sua ascenção social!
E, agora, vens tu pegar com as botas...
delicioso :) bjo

Ana disse...

Maria:
Não tenho bem a certeza.
Podem ter sido 75 ou 76...

Eu nem sei onde o senhor ia arranjar tempo e disposição para tratar de assuntos de Estado:)))

Beijinho

Ana disse...

Salvo:
E nem calculas a obra-prima (ou a prima da obra) que perdeste...

Abraço

Ana disse...

Diácono:
Se fosse o ManOel de Oliveira, teríamos a Catherine Deneuve a fazer de jornalista e talvez um Luís Miguel Cintra no protagonista...
Já eram duas grandes vantagens.

Olhe que nem o senhor usava gabardina nem chegava a sádico.
Sádico foi mais o realizador, se quer que lhe diga.

Compreende-se a falta de pachorra para aguentar a provação...

Abraço

Ana disse...

Marta:
É provável que tenham "pegado" nas incontornáveis botas também por esse lado:
Dos tamancos do feitor às botas do filho...
Mas as ditas estavam de tal forma associadas à imagem de quem as usava que o realizador não resistiu àqueles repetidos grandes planos.

Acontece que a botinha não era de elástico como mandavam as regras...

Beijinho

Cris Caetano disse...

Ai, que pena... nada da minisérie por aqui e eu perdendo esses detalhes.

De qualquer forma... tens jeito pra consultoria de época. :) As novelas daqui tem profissionais de apoio para não cometerem esses furos. Bem que a SIC podia te contratar... ;)

Beijinhos

poetaeusou . . . disse...

*
não achei nada em especial,
á quarenta anos foi tudo
publicado em várias revistas,
na Flama, na Eva, no Cruzeiro,
no Século Ilustrado até no Borda D'Agua, e no Jornal do Benfica,
Há e no Militante e no Avante,
não no Avante,o tema era outro...
hehehe,
,
até logo, vem aí o Mortágua ...
safa . . .
,
botinhas com pompons, deixo,
,
*

Ana disse...

Cris:
Não perdeste nada que valesse a pena, posso garantir.
Eu dei por mim a rir nas cenas "sérias" porque nada ali soava a vida real.
Mal realizado, muito mal interpretado e com falhas imperdoáveis nos adereços.
A das botas era a mais flagrante; mas a lingerie das senhoras, os relógios de pulso, as imitações de pele nas golas dos casacos, era tudo tão pindérico que não dava para levar a sério.
Não sei que idade tem o realizador mas isso interessa pouco.
Deixou aqui a marca da sua mediocridade.

A SIC anda a cortar à grande nas despesas, por isso não tenho muitas esperanças de que me contrate como conselheira de época :))))

Beijinho

Ana disse...

Poeta:
Que a nossa amiga Maria não te leia, aqui...
O Avante publicou as aventuras galantes do seu inimigo figadal? :)))))
Isso é que é um "furo"!
No Borda d'Água e no jornal do Benfica, é muito natural.

Cuidado não vás tropeçar nos pompons...
:)))

Abraço

Luis Eme disse...

não quis ver...

mas fizeste-me sorrir, Ana.

ainda hoje vi uma fotografia em que ele está sentado e que se vê a solita da botita, já com um buraquito, a precisar de sapateiro...

tenho pena de quem gosta de brincar (ou branquear...) com a verdade e com a história...

abraço

Ana disse...

Luis:
Essas brincadeiras estão muito em voga.
Disse-me quem viu o filme "Amália" que é outra nova versão da vida dela.
Não tenciono pagar para ver. Fico à espera da mini-série em 2 episódios de 90 minutos (são tão pouco imaginativos!) que a RTP vai transmitir no 10º aniversário da sua morte.

Aguardam-se os excitantes segredos da vida amorosa de Cunhal (duvido que viessem no livro do Pacheco Pereira...)

Abraço

Duarte disse...

Fico encantado com os teus relatos; pela originalidade e pela qualidade dos mesmos.
Essas botas estão novas, nem viram pé!

Beijinhos, amiga

Ana disse...

Duarte:
Estas estão.
Saíram do mostruário há pouco tempo e ainda não foram estreadas...

Abraço

Ze_Cuscopos disse...

Cara vizinha Ana,

Devo já deixar aqui o meu cartão de visita para quando a SIC pretender mostrar a faceta de dependente da bebida do antigo ditador.

Não existirá, em todo o Portugal, actor mais realista no papel do que eu!!!

Só preciso que coloquem mesmo vinho nas garrafas, e não chá ou outras bebidas...

Quanto ao resto, agora sei a razão pela qual o Hugh Hefner, o patrão da Playboy, quis comprar a casa de Santa Comba. Dão-se alvissarás a quem descobrir provas em contrário.

Ali havia, ao que parece, muita malandrice... com e sem botas de elástico!!!

À Sua!!!

Hic Hic Hurra

Ana disse...

Caro Zé:
A próxima versão deverá incluír vinho, drogas e homens sexuais.

Não sei se será o caso de deixar o cartão.
Mas o meu amigo é que sabe.

À sua!