terça-feira, 15 de julho de 2008

PAVILHÕES, CAIXÕES E OUTRAS COMPLICAÇÕES

A que estado isto chegou.
Só o absoluto desespero pode levar esta gente a pensar em caixões!
Pelo caminho que as coisas levam, se ocorrer algum azar, querem ver que a autarquia ainda é capaz de se recusar a pagar o funeral?
Já não digo nada.
Pois se teve a desfaçatez de atirar com umas quantas famílias para um pavilhão desportivo onde pernoitaram, depois da polícia lhes ter retirado as armas que são a sua ferramenta de trabalho!
Se lhes cerceia o óbvio direito de escolherem as casas que mais lhes agradam, no bairro da sua preferência; se os mantém ali à míngua, não lhes fornecendo alimentação gratuita (conforme se queixou um ex-morador), que podemos nós pensar, senão que até pode estar ali a germinar um Guantânamo à nossa pequena escala?
Qualquer dia o Senhor Presidente da Câmara ainda decide penalizar quem resolva vender as chaves da sua habitação social a uns familiares mais necessitados, vindos da Roménia, ou assim.
É uma vergonha.
Se é para isto que andamos todos a suar quando calha a altura de pagar os impostos, bem podem esses senhores limpar as mãos à parede!
.
O menos que podemos fazer é juntarmo-nos e pedir uma audiência ao Presidente da República, exigindo que interceda em favor destas vítimas das circunstâncias.
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E que lhes restituam ràpidamente as armas que é para os chefes de família poderem voltar a trabalhar e trazerem o leitinho para as crianças.
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23 comentários:

Maria disse...

Se eu não soubesse que és tu, Ana, diria que este post tinha sido copiado do ecos da falésia, hehehe
Mordaz e fininha, acutilante, com a "costela do gancho" a vir ao de cima, como (quase) sempre...
:)))

Beijinhos
(ah, este assunto não fica por aqui...)

Cris Caetano disse...

E se voltarem ao lugar de origem, vão se manifestar contra na porta da autarquia. Acho que devemos todos comprar armas numa outra etnia, e irmos todos de armas em punho pedir o mesmo: casa, comida e roupa lavada de graça. Estou totalmente a favor.

Beijinhos

poetaeusou . . . disse...

*
ana,
,
benditos
aqueles que vivem
em zonas privadas,
com segurança policial,
e sem "hipocrisias" . . .
com os olhos rasos de mentira,
ar comovido de telenovela,
apelam aos seus subditos,
,
tolerancia meu povo, tolerancia,
,
que corajosos, de peito aberto,
dignos dos nossos antepassados,
,
conchinhas ávoár . . .
,
*

Ana disse...

Maria:
COSTELA DE GANCHO????
Não sei onde é que já ouvi isto.
Mas ainda me vou lembrar:))

Pois se calhar não fica por aqui, não.
Agora lembrei-me da anedota do - "Isto não fica assim..."

Beijinho

Sr do Vale disse...

Ana, primeiramente muito obrigado.

Estou meio por fora desse assunto, mas em qualquer ocasião, devemos nos colocar no local das pessoas que unica e exclusivamente tentam sobreviver.
Seu protesto é válido.

Abraços.

Ana disse...

Cris:
Isto, em termos de criminalidade, está a ficar complicado. Situaçãozinha levada da breca que
não vai ser fácil de resolver.
Quem semeia ventos...

Beijinho

Ana disse...

Poeta:
Já calculava...
Paciência, se todos pensassem da mesma forma o mundo era uma monotonia pegada.
E eu, como muito bem sabes, de Madre Teresa não tenho nada:)

Abraço

Caramba, que continuo a versejar sem querer

Ana disse...

Sr do Vale:
Seja bem vindo.
Neste caso, que meteu tiroteios no meio da rua, e ajustes de contas entre marginais, há alguns que tentam, agora, tirar proveito da situação.
Não acho correcto beneficiar quem infringe a lei, em desfavor de quem a cumpre e paga os seus impostos.

Abraço

A. João Soares disse...

É uma boa ironia. Mas o problema é muito grave. Numa altura em que todas as cabeças sérias se queixam de haver excesso de Estado que tudo quer controlar, aparecem uns ociosos a recusar a casa que lhes foi dada, e querem outra à sua vontade, talvez um palácio ou um condomínio privado de quem ganhou com o seu trabalho e a sua competência para o adquirir.
Os ciganos que a TV mostrou estavam bem alimentados e bem vestidos, não parecendo que tenham direito a que as autoridades se sirvam do dinheiro dos nossos impostos para lhes dar bons aposentos, que um dia rejeitarão por questão de insociabilidade sua e, depois exijam coisa melhor, talvez no Restelo, junto aos embaixadores.
É pewciso reduzir o fosso que separa os mais ricos dos mais pobres, mas estes pelo que se vê e agora se soube, não são dos mais pobres. Talvez sejam dos mais marginais e criminosos!
O que fazem para viver como pessoas civilizadas? Que esforço desenvolvem para viver dignamente?
Ajudar é colaborar, não é substituir o trabalho de que deve ser feito por preguiçosos, ociosos que não produzem o suficiente.
O problema é complexo.
Abraço
A. João Soares

Carlota disse...

Tomo emprestadas as palavras da Maria ali mais acima. :)
Foi esta perspicácia e acutilância que sempre apreciei em ti. Muito a propósito.
Espanta-me, contudo, o teor de alguns comentários desta caixa. Enfim...

Ana disse...

A.João Soares:
Segundo os noticiários da tarde, parece que o número de famílias ciganas a exigir casa se tem multiplicado miraculosamente, nas últimas horas.
É o oportunismo em todo o seu esplendor...
A autarquia (e não só) tem ali uma bota difícil de descalçar.

Relativamente ao seu comentário, assino por baixo.

Abraço

Ana disse...

Carlota:
Ó pra mim a babar-me toda:)

Nem toda a gente reage da mesma maneira.
Quem já teve uma experiência positiva junto de comunidades ciganas, tende a encarar este tipo de acontecimentos, de outra forma.

Eu sei que não se deve generalizar mas confesso que por vezes é difícil...

Beijinho

Ruvasa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ruvasa disse...

Viva, Ana!

Escrita inteligente e divertida. Dá gosto.

Claro que vou retribuir o link, mas não se trata propriamente de uma retribuição, pura e dura. É que gostei mesmo e não quero perder a continuação.

Fui ver o Ecos, que também não conhecia e gostei igualmente.

Como é que eles, na TMN, nos dizem, quando nos viram as costas? Ah, sim! É isso mesmo...

Abraço e temos que npos ver mais vezes. Valeu?

Ruben

Ana disse...

Olá Ruben:
Foi um gosto vê-lo por aqui.
O "Sítio" já eu conhecia desde o tempo do "Ecos" mas penso que nunca cheguei a comentar lá.
Agora sim, pode contar com a minha contribuição regular:)

E muito obrigada pelas suas palavras.

Abraço

Cris Caetano disse...

E tá faltando "isso aqui" pra me tornar cigana... são só vantagens... ;)

Beijinhos

padreca domingas disse...

Ó minha querida xanta filha...rsrsrs agora só falta labar-lhes o respectivo, com água de malvas!!!rsrsrsrs...
e assim bai esta freguesia...
a minha benxão e obrigadinho pela bixita...rsrsrs
padreca domingas

Ana disse...

Cris:
Hehehehe, vai rindo, vai...

Beijinhos

Ana disse...

Ó Padreca Domingas, estava aqui a faltar a sua bênção.
Muito obrigada.
Já sinto a consciência muito mais apaziguada.

A água de malvas parece que já está a ser preparada.

Um respeitoso beijinho (na mão).

a.leitão disse...

Não te conhecia a veia "u"morística!

Ana disse...

A.Leitão:
É só quando os temas ajudam...
E este, para nosso azar, ajuda muito...

Abraço e bom fim de semana.

Inspector Serôdio disse...

Dei aqui uma espreitadela e não pude ficar indiferente ao teor deste post.
A título pessoal - tou de férias! - felicito-a pela fina mordacidade (existe?) empregue.
A título de porta-voz de Franciso Louçã comunico-lhe a expulsão do BE.


Não está filiada? Não faz mal, está à mesma expulsa, em jeito de juízo de prognóse póstuma!

Aiiiii, minha máeiiiiiii!!!

Ana disse...

Inspector Serôdio:
O velho Torrinha confirma que "mordacidade" existe.
Tal como eu desconfiava.

Tenho, entretanto, uma má notícia para si:
Antes do seu comunicado sobre a minha expulsão, já um outro camarada informador do Bloco (que entendeu que o post era para ler a sério) me tinha enviado um email, anunciando-me a atribuição de um louvor de 5 páginas, a ser-me entregue em mão por F. Louçã himself, no decurso de uma singela cerimónia.
É que isto, no que toca a ironias (ou mordacidades), cada qual interpreta a coisa à sua maneira.
Haja em vista o que se passou com a capa do New Yorker.

Agora, os dois camaradas que se entendam.
Eu fico, muito quietinha, a aguardar o resultado.

Continuação de boas férias.