quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O NOSSO JACK RUBY

O jornalista que perguntou ao nosso inefável ministro Rui Pereira a sua opinião sobre o caso do homem atingido a tiro dentro duma esquadra de polícia, em Portimão, levou com a seguinte resposta:
-"COMO SABEM, LEE OSWALD FOI BALEADO MORTALMENTE NO TRIBUNAL, QUANDO ESTAVA ACOMPANHADO POR DEZENAS DE POLÍCIAS DO FBI. NA ALTURA, NINGUÉM CRITICOU A ACÇÃO POLICIAL DA FORÇA NORTE-AMERICANA. EMBORA NÃO SENDO NORMAL, ESTAS COISAS ACONTECEM" (sic)..
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Pois. Está certo. Nós é que conhecemos mal a História recente dos E.U.A. e somos um bocadito lerdos.
Falta-nos a agilidade na argumentação, coisa que o Sr. Ministro tem para dar e vender.
Daí termos estranhado que se disparem 5 tiros sobre alguém com aquela ligeireza, justamente dentro duma esquadra.
Mas sendo como o Sr. Ministro diz, já ficamos mais descansados.
São, portanto, coisas de somenos, impossíveis de evitar:
Os chamados "CASOS PONTUAIS".
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Dentro da mesma ordem de ideias, no dia em que um adolescente português, aluno duma escola pública, numa qualquer manhã, dê para se levantar com os azeites, resolva tomar de empréstimo a arma do pai e, chegado à sua turma, desate a esvaziar o carregador sobre a professora e meia dúzia de coleguinhas, nós (pessoas cordatas) já podemos até adivinhar o que o Sr Ministro irá dizer:
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-"COMO SABEM, NO LICEU DE COLUMBINE, NOS ESTADOS UNIDOS, VÁRIOS ALUNOS E PROFESSORES FORAM BALEADOS MORTALMENTE E NINGUÉM CRITICOU A SEGURANÇA DA ESCOLA. EMBORA NÃO SENDO NORMAL, ESTAS COISAS ACONTECEM".
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É o que temos.
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Pouco depois de este post ser escrito, parece que houve um Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz que, AO ABRIGO DA NOVÍSSIMA LEI DAS ARMAS (esta, em particular, até é ilegal), pôs o atirador em liberdade, com a obrigação de se apresentar periòdicamente às autoridades competentes.
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"MARAVILHOSO ESTE PAÍS, MARAVILHOSO"- Cantemos então, com a música de Marco Paulo!
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8 comentários:

Duarte disse...

As comparações são odiosas, e cada caso merece uma atenção especial. Até aqui tudo bem, mas não vamos a ficar tão tranquilos protegidos pelo que passou, num país destacável, para defender-nos dos nossos erros. Faríamos um mau favor ao corpo policial e aos cidadãos.

Abraços

Cris Caetano disse...

E esqueceste de nos contar qual foi a cara do jornalista diante de tal comparação. Acredito que tenha ficado sem palavras e pensando no que o ... tinha a ver com as calças.

O arremate: a liberdade "assistida" do individuo é que foi a matar.

É... maravilhoso e estupendo!!!

Beijinhos

Inspector Serôdio disse...

Por essas e por outras é que já avisei os meus petizes: «se alguém vos quiser assaltar ou fazer mal na rua, lembrem-se: gritem muito e desatem a fugir, mas nunca para uma esuadra; se estiverem ali para os lados da Amadora, embrenhem-se na Cova da Moura, que terão mais hipóteses de se verem livres dos bandidos.
«Ó pai, mas e se os bandidos forem precisamente da Cova da Moura?»

É nestas alturas em que a profissão de pai é lixada (com F maiúsculo!...)

Ana disse...

Duarte:
Alguns políticos dirão o que quer que seja para fazer crer que a situação é normalíssima.
Só que algumas das suas frases são de um tremendo mau gosto.

Abraço

Ana disse...

Cris:
Os jornalistas já nem se alteram.
Os que fazem "exteriores", então, ouvem-se mais a si próprios do que aos que entrevistam:)

O que me espanta é o pouco eco que teve uma declaração destas.

Beijinho

Ana disse...

Inspector Serôdio:
Calculo os amargos de boca de um inspector que, ao mesmo tempo, é pai de família...
Os petizes devem andar sempre pendurados nas suas (ia a dizer saias, mas presumo que ainda não tenha aderido à nova tendência - "hommes en jupe") Calças, portanto...

É. Vida lixada, certamente.
Por falar nisso, a nossa, enquanto alvos indefesos da bandidagem, não o deve ser menos.
Desconfio eu, que nem ando armada nem nada.
Não ando, por enquanto. Mas já estive mais longe.

Abraço

daniel disse...

ngszjzxrAna

Há mais uma razão para se acreditar em quem ama, de verdade.
Depois, no mínimo muitos, rapazes, não passam de fala-baratos, os poderes em se enquadra, aquilo a que se convencionou chamar de justiça, têm uns palhaços risíveis e incultos.
Vão trabalhando no arame, até que vão ter de apagar as luzes e dar às de vila diogo, para outro lado, antes que todos os infernos estejam fechados.
Vamos nós amando e rindo... enquanto podermos!...
Daniel

Ana disse...

Daniel:
Pois, o último a saír que feche a luz...

Abraço