quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PDEC (PROCESSO DE DESCONTINUIDADE EM CURSO)

Em tempos que já lá vão, tinha eu uma idade considerada ainda simpática, podia viver-se tranquilamente com um só carro para toda a família, um único aparelho de televisão em casa, ausência de microondas, telemóveis, ecrãs LCD, PCs portáteis, fotografia digital, fibras ópticas, GPS, Catarinas Furtados e por aí fora e por aí adiante.
Sem frustrações, note-se.
A seguir começou a obcessão do new.
Não o "nu"pronunciado à madeirense, que esse também se institucionalizou até chegar a docentes da província.
Adiante.
Refiro-me ao "new" propriamente dito. A novidade. O "diferente"(opções sexuais incluídas, pois então, embora hoje as vá deixar em paz).

Entramos numa perfumaria, farmácia, loja de lingerie, secção de electrodomésticos, stand de automóveis (as hipóteses são infindas) e atiram-nos às fuças com a frase:
- "Ah, essa linha foi descontinuada!"
É fatal.
A Zequinha do 3º Esquerdo também decidiu descontinuar a gravidez.
Mas deu-lhe outro nome. Está no seu direito.
Os empregos, então, padecem de descontinuidade acelerada.
Para já não falarmos da própria Língua Portuguesa falada e escrita, que foi logo uma das primeiras vítimas do processo.

Agora está aí a chegar uma maneira original de disporem de nós quando a nossa vida chega à fase da descontinuidade, uma vez que a cremação está a ficar ultrapassada.
Dizem os gurús verdinhos que não é ecològicamente limpa.
É muito CO2 a poluír a atmosfera. E os dentes obturados, então?
Aquilo são emissões de mercúrio que nunca mais acabam!
Não pode ser.
Vamos ter de optar pela "CREMAÇÃO PELA ÁGUA" ainda que a designação nos pareça um tanto surreal.
Em que consiste?
Pois na chamada "HIDRÓLISE ALCALINA":
Mergulha-se o corpo numa solução aquecida de água e hidróxido de potássio.
Hidróxido de potássio mais conhecido por "POTASSA CÁUSTICA" com que as nossas avós limpavam retretes e assim.
Mas soa melhor o tal hidróxido.

Umas horas depois, transformamo-nos num líquido inorgânico que poderá ser utilizado como fertilizante.
Que tal?

Vai um cafezinho?

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14 comentários:

Luis Eme disse...

claro que não, com uma conversa destas...

nós é que pensamos que está tudo inventado, Ana.

as coisas que para ai vêm...

(ainda há pouco refilei com o meu filho por estar a ensaboar-se no banho com a água a correr, dizendo-lhe que ele ainda há querer água para tomar banho e ter de se contentar com pequena tijela...)

beijinho Ana

Cris Caetano disse...

O que eu ri, Ana.... rsrsrsrs

Não me "vejo" a diluir em água... :))

Beijinhos

salvoconduto disse...

Da-se, até fiquei sem vontade de tomar banho...

Ana disse...

Luis
Entre o abrir e fechar da torneira e o tempo de voltar a aquecer a água não sei se fará grande diferença...
Tadinha da criança.
Ó pai tirano!

Beijinho

Ana disse...

Cris
O que vale é que para o "interessado" tanto faz.

Mas cada dia que passa estes verdinhosos inventam qualquer novidade desagradável para nos dar cabo da cabeça.
Enquanto se incomodam com as cremações e as sardinhas assadas, as grandes indústrias poluentes vão estendendo os bracinhos e dando realmente cabo do planeta.

Beijinho

Ana disse...

Salvo
Mas olha que a potassa era dantes.
Agora há o Cif ou outro parecido...
Podes tomar o banhinho à vontade que
não escorrerás pelo cano...

Beijinho

poetaeusou . . . disse...

*
eu uso Creolina,
não é próprio ?
,
conchinhas,
,
*

Ana disse...

Poeta
Mas não é aquela creolina, "biógrafa" do Pinto da Costa, não?

Acho boa ideia. Deves ter um cheirinho delicioso pela casa toda :))))))

Beijinho

Red Eagle disse...

Saudações Chaladas

Duarte disse...

Há quem chama mau feitio a quem diz as coisas pelo seu nome... gosto desta maneira tua de ser... Ainda esboço um sorriso ao lembrar-me de algo escrito por ti...

Já de volta à realidade creio que vou aceitar esse cafezinho, pois o estômago deu meia volta. Amiga, es imensa!

Um grande abraço

Ana disse...

Red Eagle
Ficaste, portanto, sem palavras...

Beijinho

Ana disse...

Duarte
Sai um cafezinho para a mesa do canto.
Este mundo anda mesmo arrevesado.

Beijinho

João disse...

Caríssima'Ana,

Esta está de morte!!!

Tenho de a contar ao meu primo Jaquim, alentejano de gema, que também anda CA LINA. Não sei se ele vai achar piada a essa coisa da hidrólise, mas lá que a rapariga, antes de andar com ele, tinha uma língua viperina e era muito dada a andar com vários homens ao mesmo tempo, lá isso é verdade.

E como a coisa se chama POTASSA CÁUSTICA, deve ter sido mesmo ela! Será que eu, ao contar-lhe isto, lhe irei fazer o favor de o obrigar a descontinuar o namoro, que já vai pegado, antes que ele a fertilize?

Bêjos à alentejana, como a carne de porco, mas sem esta...

Ana disse...

João
Nem resta a menor dúvida de que a Lina deve ser cáustica e etc e tal!

Avisar o seu compadre ( e eu que não fazia o Jaquim em tão más companhias...) é imprescindível.
Vai ver, por isso é que ele tem faltado aos almoços. A Lina é tramada!!!

Beijinho